• Rayane Ruas

Os Dados são como a areia - Tim O'Rielly

Atualmente, dados existem em abundância, mas não têm valor até que alguém os manipule e transforme. Essa lógica inspirou o matemático britânico Clive Humby, em 2006, a dizer que “os dados são o novo petróleo”. Uma vez que devemos refinar os dados para torná-los em produtos e serviços úteis, e só então eles se tornarão valiosos.



“Infelizmente, para muitas pessoas, a frase "os dados são o novo petróleo" parece sugerir que nossos dados pessoais são como um poço de petróleo jorrando em uma fazenda no Texas e que deveríamos reivindicar uma participação acionária nos lucros decorrentes desses dados” Provoca Tim O'Reilly, fundador e CEO da O'Reilly Media.

A areia comum, que é o segundo mineral mais abundante na crosta terrestre, é o ponto de partida para e criação de um dos componentes mais complexos que a humanidade já inventou: os microchips. O silício é uma matéria-prima essencial no semicondutor de óxido metálico-silício (mos), e é criada a partir da areia, mas não estamos caminhando na praia e nos perguntamos "qual é o valor da areia?".


Assim em fevereiro de 2021, Tim O'Reilly em artigo para The Information, defende que o mais correto seria encarar os dados como areia. Tão abundante quanto, mas realmente desprovida de valor até que seja transformada em argamassa, concreto, vidro e silício. Assim como a areia, dos dados não se extrai muito valor dos grãos de areia sem antes submetê-los a processos de produção tão caros quanto os produtos derivados.


O valor é claramente criado pelas novas ideias e processos de fabricação que usam o silício como matéria-prima e nas aplicações que os chips semicondutores, por sua vez, tornam possíveis.


Quando falamos de dados, mesmo no domínio pessoal, existem dados valiosos de forma única — credenciais de contas bancárias, digamos, ou informações pessoais que poderiam ser exploradas para chantagem ou publicidade, ou mesmo para informações privilegiadas. Mas esses dados são pessoais e jamais serão utilizados para gerar valor, esse não é o tipo de dado sobre o qual as pessoas estão dizendo que deveriam ser compensadas.


Olhando para os dados, vemos que a criação de valor a partir deles requer processos muitas vezes massivos, em escala industrial, capazes de gerar múltiplos produtos (como com as Big Techs). Nem sempre através de quantidades gigantescas de dados, mas dos corretos, agregados. E aí vale uma outra analogia: como um opioide, os dados são altamente viciantes e perigosos quando prescritos em excesso, mas extremamente úteis quando prescritos corretamente. Saber selecioná-los, usá-los na medida correta, no momento preciso é o maior valor que se pode oferecer.


Obter mais dados também gera retornos decrescentes depois que se tem sucesso com a entrega de valor inicial. É comum os gestores se encantarem com a primeira entrega de dados e quer mais e mais. Com o tempo o volume de dados, indicadores e informações passa a ser tão grande que deixa de ajudá-los. Ou pior, os dados se tornam obsoletos e consequentemente inúteis com o tempo. O segredo para a manutenção do seu valor é trabalhar com poucos indicadores assertivos, de fontes confiáveis que são atualizados periodicamente.

Por tudo isso, na opinião de O’Reilly e na nossa também, falar sobre “o valor dos dados” nos leva a fazer as perguntas erradas:

O valor não está propriamente nos dados, eles são a materia prima, o valor está no processamento e aplicação dele!

5 insights sobre o bom uso dados

O que antes era desconhecido agora pode ser rapidamente descoberto com algumas consultas.

Os tomadores de decisão não precisam mais confiar no instinto: hoje eles têm evidências mais extensas e precisas na ponta dos dedos.


Novas fontes de dados que alimentam sistemas de aprendizado de máquina e IA estão no centro dessa transformação, e vamos falar mais sobre a aplicações dos dados num próximo post aqui no Blog UP.

As informações que fluem pelo mundo físico e pela economia global estão mudando de escopo. São geradas por milhares de fontes: sensores, imagens de satélite, tráfego web, aplicativos digitais, vídeos e transações com cartão de crédito, reviews, redes sociais, apenas para citar alguns. Esses tipos de dados podem transformar o seu entendimento sobre o seu público e a sua tomada de decisão.


No passado, uma empresa do setor alimentício que queria diversificar seu cardápio, por exemplo, poderia ter se apoiado em pesquisas e grupos focais para desenvolver novos produtos. Agora, ela pode recorrer a fontes como mídia social, dados de transações, estudos comportamentais e tráfego online — tudo isso pode revelar que os brasileiros passaram a consumir mais proteína vegetal, e é aí que a empresa deve se concentrar, em desenvolver opções saudáveis, vegetarianas e até vegan.


O potencial está sendo explorado todos os dias — não apenas no mundo dos negócios, mas também no domínio da saúde pública e segurança, em que agências governamentais e epidemiologistas têm confiado em dados para determinar o que impulsiona a disseminação da Covid-19 e como retomar as atividades econômicas com segurança. Algo que a pandemia nos ensinou foi a importância de tomar decisão com base em dados, em acompanhar indicadores e na relevância que há no monitoramento de um fenomeno para acompanhar a sua evolução. Já imaginou a pandemia sem dados para medir o que estivesse acontecendo?


Por fim, vale destacar que a grande abundância de informações e a falta de familiaridade com os dados e com as ferramentas de análise podem ser um desafio para a maioria das organizações.


Finalizamos com 5 pontos que você não pode deixar de lado quando se fala em dados:

1. Novas formas de dados estão dando às organizações velocidade e transparência sem precedentes.

2. Já há no mercado empresas especializadas que estão refinando, agregando, conectando, e analisando dados, a UP Intelligence, spin off da UP Soluções tem feito isso com maestria para o turismo, no nosso blog tem post de alguns cases, não deixe de conferir.

3. A maioria das empresas não-tecnológicas está defasada, mas novas ferramentas podem ajudá-las a recuperar terreno.

4. É preciso especialistas na área que se está trabalhando para extrair o real valor dos dados.

5. As empresas precisam construir salvaguardas de privacidade e ética desde o início.

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